Flávio Bolsonaro foi derrotado nas urnas, mas nem tudo que reluz é ouro: Lula trairá os trabalhadores mais uma vez. É preciso nos manter nas ruas com um programa de reivindicações da classe trabalhadora!
- By: editoral
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Após um primeiro turno apático e sem vida, Lula venceu a eleição presidencial com mais de 4 milhões de votos de diferença em relação ao seu adversário, numa virada inédita na história política do Brasil.
No entanto, distante de ser um mérito do Partido dos Trabalhadores (PT) e do próprio Lula e do seu vice reacionário Geraldo Alckmin, a derrota do filhote de Jair Bolsonaro só foi possível mediante um esforço monumental de milhares de homens e mulheres das camadas populares e dos setores médios assalariados que saíram às ruas de norte a sul do país, centenas de milhares de estudantes que tomaram as rédeas do processo e intimidaram as iniciativas bolsonaristas nas ruas e nas redes sociais mostrando, mais uma vez, a força que a classe mobilizada tem quando não é freada por suas direções
Mais do que se entusiasmar com o programa social-liberal do PT, as ruas, as aldeias, as escolas e as universidades brasileiras foram sacudidas por um sentimento legítimo de repulsa à família Bolsonaro e a tudo que o bolsonarismo representa, isto é, esquadrões da morte que aterrorizam a periferia, violência contra os setores oprimidos, destruição explícita da Amazônia e de seus povos originários e, principalmente, a memória do assassinato de mais de 700 mil pessoas durante a Covid-19.
Porém, se por um lado, a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro não é a derrota da ultradireita enquanto força social, por outro, a vitória de Lula-Alckmin nem de longe pode ser entendida como uma vitória da classe trabalhadora e de seu programa histórico.
Comecemos por esse último aspecto: Lula venceu com um programa abertamente capitalista e ultraliberal. Em nenhum momento fez questão de esconder a sua aliança orgânica com os latifundiários que se autodenominam “agronegócio” e com as grandes mineradoras, ao contrário fez questão de afirmar que seguirá a oferecer a eles toda a infraestrutura que leva conflito e morte para os povos indígenas, como a pavimentação da BR-319 que liga Manaus a Porto Velho, tampouco escondeu que irá avançar com as parcerias público-privadas (PPPs), privatização de rodovias, como a BR-116, a maior do país, assim como apoiará o projeto de encarceramento em massa da juventude negra e pobre, pois assumiu abertamente a defesa da redução da maioridade penal. Como se não bastasse, já no seu primeiro discurso pós-eleição não disse que governará com os trabalhadores, mas sim que governará com o Congresso de ultradireita que arrancará até a última molécula dos direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados pelo nosso povo. E não satisfeito, no dia seguinte ao anúncio da sua vitória, anunciou uma possível equipe econômica cuja missão será reduzir gastos sociais, como o próprio Bolsa Família, cortar verbas da educação e da saúde, além de aprovar uma nova Reforma da Previdência que tornará quase impossível a aposentadoria no Brasil e de aprovar a Reforma Administrativa que, na prática, acabará com os concursos públicos e fragilizará a estabilidade dos servidores. Tudo isso já foi previamente justificado na campanha com o discurso de “direita e esquerda juntas pela democracia”, amplamente compartilhado por pessoas que não perceberam o cavalo de Troia que palavras de ordem como essa representam.
Em outras palavras, o novo Governo Lula-Alckmin não hesitará por nem um segundo em trair descaradamente as massas que lhe deram uma gigantesca vitória contra Flávio Bolsonaro.
Ao contrário do que afirmaram mentirosamente as autoproclamadas direções “revolucionárias” que, seguindo a cartilha stalinista da Frente Popular, rasgaram os princípios mais elementares do classismo ao defenderem o voto em candidatos burgueses e venderem a ilusão da derrota da ultradireita via democracia burguesa, eleger Lula-Alckmin não fará a luta avançar. Pelo contrário, como quase 20 anos de governos petistas comprovam, o que ocorre é o retrocesso da luta e das organizações. O que esses “grandes organizadores de derrotas” fizeram foi plantar a semente da decepção futura no coração das massas que foram às ruas, tornando-o terreno fértil para um fortalecimento ainda maior do bolsonarismo ou de outra face que a ultradireita assuma. Afinal, o que sempre nutriu movimentos fascistizantes e fascistas enquanto força social é justamente a imensa frustração popular diante das traições de direções nas quais um dia os trabalhadores acreditaram como via para melhorar a sua vida. Foi essa a base do crescimento do fascismo na Itália, na Espanha, na França. Foi essa a base social do impeachment de Dilma após a traição ao apoio popular que a elegeu em 2014. Não por outra razão, a pauta central usada por Flávio Bolsonaro nessas eleições foi o aumento do custo de vida que, de fato tem destruído o poder de compra dos trabalhadores brasileiro. E a situação só vai piorar com os ataques que o governo fará.
A única possibilidade de impedir esse cenário trevoso é a construção efetiva de uma oposição de esquerda radical e revolucionária contra o Governo Lula-Alckmin, uma oposição que não tenha medo de dizer a verdade à classe trabalhadora ainda que tal verdade seja amarga. Por suposto, nessa oposição não caberão os oportunistas, os derrotistas, os que freiam as lutas, , os que vendem ilusões. Os que fazem a consciência retroceder ao em vez de avançar. Mas caberá todo trabalhador e trabalhadora, toda e toda estudante que avançar na consciência e perceber que a única maneira de destruir e enterrar o bolsonarismo e as suas variantes será derrotar o sistema que o engendrou: o capitalismo, e as direções traidoras que o sustentam, como o PT e os seus satélites.
Sigamos firmes e fortes! E sejamos ativos !
