Maio da Diversidade e Junho do Orgulho da População LGBTI+(Setor de Luta contra as Opressões da ART – Aliança Revolucionária dos Trabalhadores)
- By: editoral
- On:
- 0 comentário
Depois de muita luta organizada pelas LGBTI+, o 17 de maio se tornou a data escolhida para o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia porque marca o momento histórico, em 1990, em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID), deixando de tratá-la como uma patologia mental. Essa conquista simboliza a transição de um paradigma de “doença” para um de respeito à dignidade e diversidade humana, servindo anualmente como um marco global para denunciar a violência, combater o preconceito e reivindicar os direitos democráticos da população LGBTI+.
O Mês do Orgulho é celebrado em junho em homenagem à Revolta de Stonewall, que aconteceu em Nova York em 1969. Na madrugada de 28 de junho daquele ano, frequentadores do bar gay Stonewall Inn reagiram a uma violenta batida policial, resultando em dias de protestos liderados por mulheres trans negras e travestis, como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera. Esse levante é considerado o marco fundador do movimento LGBT moderno, transformando a resistência espontânea em um movimento político global organizado que, no ano seguinte, deu origem às primeiras marchas do orgulho para exigir visibilidade, dignidade e igualdade de direitos.
E movimento LGBTI+ brasileiro?
Historicamente forte, diverso e com várias organizações (GGB, ANTRA, etc…) este movimento atua em diferentes frentes, como a reivindicação de direitos democráticos, o ativismo de base, o meio acadêmico além de diversos setores artísticos. São muitos os expoentes desta população em destaque, mas nada disso é possível sem as pessoas LGBTI+ em cada lugar deste país fazendo o enfrentamento à LGBTI+fobia.
30 anos da Parada em São Paulo: por que é importante registrar a maior atividade política da população LGBTI+?
A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo teve sua primeira edição em 1997, na Avenida Paulista, reunindo cerca de duas mil pessoas sob o tema “Somos muitos, estamos em todos os lugares”. O evento nasceu da necessidade de dar visibilidade à comunidade e lutar contra a violência e a discriminação em um período marcado pela luta por direitos básicos. Ao longo dos anos, a manifestação cresceu exponencialmente, transformando-se em uma das maiores paradas do mundo e em um potente ato político e cultural que projeta as demandas da comunidade globalmente. Esse crescimento massivo impulsionou debates cruciais que resultaram em conquistas jurídicas e sociais históricas para a população LGBT no Brasil. Entre os principais avanços decorrentes dessa mobilização contínua estão o reconhecimento da união estável homoafetiva e a garantia do direito ao casamento civil, conquistas que foram arrancadas do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2011. Posteriormente, o direito à retificação de nome e gênero no registro civil para pessoas trans, sem a necessidade de cirurgia ou autorização judicial, marcou outra vitória fundamental para a dignidade humana. Além disso, ao pressionar o Supremo Tribunal Federal, o movimento liderado pela Parada culminou na conquista da criminalização da homotransfobia pelo, STF em 2019, equiparando a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero ao crime de racismo. No campo da saúde pública, destaca-se a derrubada da restrição que impedia homens gays e bissexuais de doarem sangue.
No entanto, mais do que comemorar, esse resgate histórico é essencial para garantir que a Parada, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, preserve seu caráter de luta e manifestação. Não é novidade que com o seu crescimento a Parada do Orgulho foi parasitada por partidos e políticos que se dizem pró-LGBTI+ mas que, uma vez no poder, negociam nossos direitos com a bancada da bíblia, da bala e do boi. Também não é novidade que, em vários momentos, a Parada foi usada por empresas que buscam se promover por meio do pink money , enquanto superexploram os seus trabalhadores/trabalhadoras LGBTI+, como é o caso das grandes lojas como C&A, Avon, Natura, Ambev etc, e mesmo empresas sionistas que apoiam o genocídio palestino em Gaza, usam a Parada para se promover. Além disso, os avanços legais ainda contrastam com altos índices de violência. Por isso, é essencial dar continuidade à luta para enfrentar os LGBTI+fóbicos que discriminam, assediam e assassinam LGBTI+ no Brasil. Não basta a lei se ela não é cumprida, se os instrumentos para garantir as conquistas não funcionam.
Por tudo isso, não somos contra que o evento mantenha o seu caráter festivo, mas também deve resgatar seu caráter político e combativo, sobretudo quando políticos reacionários e apequenados, como o vereadorzinho Rubinho Nunes (União Brasil), querem nos devolver aos guetos. Porém, A Parada é um meio, não é o fim. Nosso objetivo é o fim do capitalismo e do patriarcado, sistemas onde repousam todas violência LGBTI+fóbica. Nosso objetivo é a revolução socialista, para que todos possam ser o que são, em toda a sua plenitude e diversidade humana.
Não podemos esquecer as condições da superexploração no trabalho a que as pessoas LGBTI+, em especial as pessoas trans são submetidas. Não podemos esquecer que para muitas das mulheres trans, a prostituição é o único meio de sobrevivência. Não podemos ignorar a violência policial contra as pessoas LGBTI+! Não podemos ignorar que, às pessoas trans, é negado inclusive o direito de usar um banheiro público em segurança. Não podemos esquecer toda a violência dos estupros “corretivos” contra as lésbicas e bissexuais… Não podemos e não iremos esquecer. E, um dia, todos esses crápulas que nos exploram, oprimem, estupram, e matam terão a reposta que merecem.
Seguimos marchando!
Em anos eleitorais, os direitos da população LGBTI+ costumam ocupar o centro do debate político. De um lado, a extrema direita instrumentaliza discursos e ataques LGBTfóbicos para fortalecer a bancada conservadora no Congresso Nacional. A negação do nosso direito de existir transforma-se em plataforma política de setores que, de forma hipócrita, se apresentam como “defensores da família tradicional”. Esse mesmo setor, que encontrou no governo Bolsonaro sua expressão mais radical, ataca diretamente nossas vidas e legitima a violência contra a população LGBTI+.
Ao mesmo tempo, setores identificados como “progressistas” frequentemente recorrem a acordos com essas forças conservadoras em nome da chamada governabilidade (lembremos que Marco Feliciano, Edir Macedo e Magno Malta já fizeram campanha para Lula e Dilma – aquela “não iria fazer propaganda de opção sexual”). Nesse jogo político, os direitos da população LGBTI+ acabam tratados como moeda de troca para negociações institucionais. Não por acaso, Lula tentou indicar ao STF um ministro “servo de Deus” e alinhado ao discurso religioso conservador, movimento que acabou frustrado pelas disputas entre Congresso e governo. É lamentável, mas é preciso denunciar, que existam setores da esquerda que se dizem socialistas, setores do movimento feminista e até do movimento gay e lésbico que se juntam à ultradireita no ataque às pessoas trans. Não marchamos ao lado dessas pessoas!
Essa movimentação do governo, só reafirma que a conquista e a defesa dos nossos direitos não podem depender das urnas ou das instituições da burguesia. Nossa luta precisa seguir viva, organizada, orgulhosa e combativa nas ruas, mantendo uma trajetória histórica de resistência que desafia todas as estruturas de opressão e exploração, na defesa do direito de ser, existir e viver com liberdade e dignidade!
- Viva a revolta de Stonewall! Viva a luta das LGBTI+s!
-Tipificação do crime de LGBTI+fobia por meio de lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidência da República.
Políticas de assistência estudantil para LGBTI+ combatendo diretamente a evasão escolar e Cotas LGBTI+ nas Universidades Públicas.
Consolidação da política de saúde por meio da ampliação do número de Ambulatórios Trans em todo o território nacional.
Por pleno emprego e dignidade de salário !
Pela educação de gênero nas escolas !
“Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”
Por um mundo comunista !
