Chega de Feminicídios: Um grito pelo direito das mulheres viverem!

Chega de Feminicídios: Um grito pelo direito das mulheres viverem!
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            A Lei contra o feminicídio, que tonou o assassinato de mulheres por razões de gênero (violência doméstica ou menosprezo à condição feminina) como crime autônomo e hediondo, completou 10 anos. Contudo, em 2025, o  Brasil mantém a média de 4 mulheres vítimas de feminicídio por dia, a mesma dos últimos cinco anos, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Além disso, entre outubro de 2024 e setembro de 2025 foram reportados 253 transfeminicídios, segundo a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais).

            No mesmo ano, a pesquisa do Mapa da Violência constatou uma média de 187 registros de estupro por dia, sendo mulheres 85% das vítimas. Esses dados só comprovam uma verdade conhecida: o Estado capitalista falha repetidamente em proteger a vida das mulheres.

            A realidade é que a organização constante das mulheres arrancou avanços como a  “Lei Maria da Penha” e a “Lei do Feminicídio. Mas, a realidade é que os aparatos do Estado burguês seguem cúmplices da barbárie.

            O recente julgamento que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos, em Minas Gerais, demonstra a resistência do Poder Judiciário em aplicar a legislação. Além disso, a morte de Tainara que morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo,  mostram que não existe um pacto verdadeiro no combate ao feminicídio.

            Pelo contrário, o orçamento do Ministério das Mulheres foi um dos mais afetados pelos cortes de orçamento e bloqueios nos anos de 2023 e de 2024 promovidos pelo Governo Lula/Alckimin para garantir a aplicação do arcabouço fiscal e agradar o mercado financeiro. 

            Tudo isso se soma ao caso de Epstein, caso que comprovou como a burguesia e seus políticos de plantão se aproveitam de seu poder financeiro e influência política para criarem redes de tráfico internacional de mulheres e de exploração sexual. Com centenas de nomes na lista “Epstein”, está comprovado que a burguesia e setores políticos ditos  “democráticos” estão diretamente envolvidos com os piores casos de violação ao direito das mulheres.

            Isso só demonstra que o problema de fundo é que o sistema capitalista é um sistema perverso e uma das piores expressões são os casos bárbaros de violência contra às mulheres. Por isso, o Estado burguês falha todos os dias em enfrentar o machismo e garantir que as mulheres fiquem vivas.     

Educação sexual nas escolas, amplo acesso a métodos contraceptivos e pelo direito ao aborto seguro, legal e gratuito! 

            O Estado capitalista alimenta a cultura machista de controlar o corpo das mulheres e a sua escolha sobre o desejo de prosseguir ou não com uma gravidez. Reflexo disso, o aborto é crime no Brasil. A cultura de criminalizar o direito de decidir é endossada pela mídia, pela bancada da bíblia no congresso nacional e nenhum governo possui a coragem de atender a essa pauta.                                                                                           

            A escolha pela maternidade deve pertencer à mulher. Não cabe ao Estado obrigar o prosseguimento a uma gravidez. E mesmo nos poucos casos nos quais o aborto é permitido no país, como no caso do estupro, todas as instituições trabalham para criminalizar a mulher e dificultar o acesso ao aborto à vítima.

             Meninas vítimas de violência sexual, rotineiramente, são expostas pela militância de ultradireita. Essas meninas foram abandonadas pelo Estado duplamente. Primeiro, ao serem vítimas da violência e terem seus corpos sexualizados, segundo, ao serem expostas quando tentam realizar o  aborto legal.

             O desejo das instituições estatais de controlar reprodução feminina é a comprovação que vivemos em um sistema patriarcal que coloca a vida das mulheres, das suas escolhas e de seus corpos, como um simples objeto a ser debatido publicamente. O corpo feminino é amplamente analisado. Desde a infância, sofremos com a sexualização, a violência, as pressões estéticas, e, ao final, as mulheres idosas sofrem com o etarismo.

             O machismo se expressa nesse olhar da mulher como um objeto de estudo e uma mera reprodutora, negando a sua  plenitude e a despossuindo, até mesmo, do seu corpo.  Por isso, a luta pela legalização do aborto é fundamental para romper com essa lógica e libertar as mulheres das amarras, garantindo, o direito ao seu corpo e o direito de decidir sobre a maternidade.

            Defendemos a educação sexual nas escolas, para proteger as crianças da violência sexual, rompendo com a cultura do estupro de jovens. Além disso, lutamos pelo amplo acesso aos métodos contraceptivos para prevenir a gravidez indesejada. E, por fim, defendemos o direito ao aborto, legal, seguro e 100% garantido pelo SUS para proteger o direito de escolha das mulheres. 

                  Trabalhar Todas, Trabalhar Menos e Dividir Tudo: Pelo Fim da escala 6X1.       

            A barbárie do machismo se aprofunda ainda mais com o avanço cruel da exploração. A combinação entre a opressão machista e a exploração deixa as mulheres em uma situação cruel. Seguimos com altas taxas de desemprego e ganhando os menores salários. Em 2025,  no 3º trimestre, a taxa feminina de desemprego foi de 6,9% contra 4,5% dos homens. Na remuneração média, as mulheres recebem 20,9% a menos do que os homens. E essa diferença é ainda maior para as mulheres negras, que seguem recebendo os piores salários.

            Somado a isso, a escala 6X1 aplicada no Brasil causa às mulheres trabalhadoras o pior da combinação entre exploração e opressão. O machismo impõe às mulheres o papel do cuidado da casa, das crianças e a realização das tarefas domésticas. Assim, as mulheres que trabalham na escala 6X1 só possuem um dia de “descanso” do trabalho. Esse dia é transformado na dupla ou tripla jornada de trabalho, ou seja, o momento do  cuidado dos filhos e da casa.

             Assim, não há descanso paras as mulheres da classe trabalhadora. Com o aumento dos valores dos aluguéis, dos alimentos e do transporte, não podemos mais aceitar salários miseráveis e uma escala que escraviza os corpos ao impedir que não exista vida além do trabalho.

            Por isso, o fim da escala da 6X1 e a luta pela redução da jornada de trabalho, é um importante passo no combate à exploração e à opressão, garantindo o direito do conjunto da classe trabalhadora e, em especial, das mulheres em descansar.

            O discurso machista tão abraçado pela extrema-direita de ideia da mulher  “recatada, mãe e do lar” é uma completa hipocrisia ao ser confrontado com a realidade da mulher trabalhadora. A trabalhadora brasileira não tem tempo de estar em casa ou efetivamente conviver com sua família.  Pelo contrário, é empurrada para uma jornada de trabalho massacrante, naquilo que existe de pior no capitalismo que combina a opressão com a exploração

Abaixo as Guerras Imperialistas contra os povos: Palestina, Ucrânia, Venezuela, Congo, Sudão e Irã.                                                                                               

            Em uma profunda crise, o capital em sua forma política mais avançada, ou seja, o imperialismo, avança contra os povos e contra a classe trabalhadora mundial por meio de conflitos bélicos que ensaiam uma guerra generalizada provocada pelas disputas territoriais, comerciais e tecnológicas entre os EUA e China.

           Por todos os cantos, crianças e mulheres são os alvos dos mais horrendos crimes de guerra. Na Palestina elas representam nada menos do que 70% das vítimas do genocídio que o Estado Sionista de Israel comete em Gaza. No Sudão, os corpos infantis e femininos são vítimas do estupro como arma de guerra. No covarde ataque dos EUA-Israel contra o Irã, as primeiras vítimas foram 175 meninas entre 05 e 12 anos. No Congo, são elas que vitimadas pela prostituição imposta por milícias armadas de mineradoras, ora financiadas pelos EUA, ora financiadas pela China.

       Não há dúvida, portanto, que no epicentro das guerras infames que a burguesia imperialista alastra pelo mundo estão as mulheres trabalhadoras, em especial, as mulheres dos países pobres. Nesse sentido, é mais do que necessário reafirmar que a defesa da vida das mulheres jamais poderá ser compatível com as guerras que não apenas violam os territórios, mas também violam nossos corpos por meio de bombas, sequestros e estupros.                                                                                                     Assim, o Dia Internacional das Mulheres deve ser, também, uma luta contra a guerra imperialista, contra a política de genocídio imposta nas disputas territoriais ao redor do mundo e de defesa dos povos.

Um 08 de março independente e contra todos os governos que nos oprimem e nos exploram

            Esse 8 de março, devemos ir para as ruas com um tom de combate e defesa implacável dos nossos direitos. Não queremos um ato em que sejamos usadas para garantir a pauta eleitoral de 2026. Precisamos de atos independentes e combativos, que tenha com ponto central a defesa das mulheres trabalhadoras.

            Não é apenas a extrema-direita, com seu discurso de ódio às mulheres, quem nos ameaça.  Todos os governos que fazem alianças com o que existe de mais nefasto e reacionário no congresso nacional deve ser combatido.

            As mulheres trabalhadoras só serão verdadeiramente livres em uma sociedade que garanta que todos possam trabalhar, comer e ter acesso à saúde e à educação. Uma sociedade em que as mulheres possam ter direito ao seu corpo e estejam efetivamente seguras. 

            A atual sociedade capitalista não garante sequer condições para quem trabalha possa sobreviver, quem dirá libertar as mulheres das amarras do machismo.                                                                                                                                              

            Por isso, em ano eleitoral, não podemos transformar um dia de luta na defesa do Governo Lula/Alckimin que se alia com banqueiros, latifundiários e até mesmo com a bancada da “bíblia” para garantir uma governabilidade a serviço dos interesses da burguesia.

            Precisamos reforçar a auto-organização e a luta independente em relação ao governo e contra o sistema capitalista que aprofunda a pobreza, a exclusão e o abismo social. 

             8 de março é um dia para Mulheres e Homens seguirem nas ruas, em defesa de uma sociedade socialista, onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres. 

Dados: 

Mapa da Violência: https://www.senado.leg.br/institucional/datasenado/mapadaviolencia/

Dossiê ANTRA 2026: https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2026/01/dossie-antra-2026.pdf Relatório de Transparência Salarial: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNTFhZWI0MzUtZjZkOC00Y2EwLTg5MTMtYjlkODYyOGEwNTIwIiwidCI6IjNlYzkyOTY5LTVhNTEtNGYxOC04YWM5LWVmOThmYmFmYTk3OCJ9

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